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Polícia Civil investiga extorsão de facções contra candidatos em bairros dominados; “pedágio eleitoral” ameaça saúde democrática e gera medo nas comunidades

Polícia Civil investiga extorsão de facções contra candidatos em bairros dominados; “pedágio eleitoral” ameaça saúde democrática e gera medo nas comunidades

Cobranças que chegam a R$ 50 mil para permitir campanha restringem liberdade de expressão e criam clima de intimidação, elevando níveis de estresse e ansiedade em populações vulneráveis

O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, confirmou, em entrevista, que a instituição investiga denúncias de extorsão praticadas por organizações criminosas contra candidatos que tentam realizar campanha ou afixar propaganda política em bairros dominados por facções. Segundo relatos apurados pela reportagem, os valores cobrados podem chegar a R$ 50 mil para autorizar a entrada de candidatos nas comunidades, a fixação de placas em fachadas ou a colocação de adesivos em veículos de moradores.

O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, confirmou que a instituição investiga denúncias de extorsão praticadas por organizações criminosas contra candidatos em bairros dominados por facções. Foto: captada 

Do ponto de vista da saúde coletiva, o chamado “pedágio eleitoral” transcende o âmbito político e atinge diretamente o bem-estar psicossocial das populações que vivem sob domínio de facções. A imposição de um poder paralelo que restringe a liberdade de expressão e a livre manifestação do voto gera um ambiente de medo constante, intimidação e insegurança — fatores que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são determinantes sociais do adoecimento mental. Moradores de territórios controlados por facções frequentemente relatam quadros de ansiedade, insônia, hipervigilância e até transtorno de estresse pós-traumático, agravados pela sensação de impotência diante da violência estrutural.

Buzolin classificou a prática como “uma afronta ao Estado Democrático de Direito” e destacou que não se trata de um fenômeno exclusivo do Acre. Embora não tenha confirmado o valor específico que podem chegar a R$ 50 mil para autorizar a entrada de candidatos nas comunidades e colamento de adesivos em veículos de moradores ou a colocação de placas nas fachadas das residências. A investigação atual busca identificar e desarticular a rede criminosa que tenta cooptar o processo eleitoral.

A atuação das facções nesse contexto também compromete a confiança da população nas instituições — um pilar essencial para a coesão social. Quando os cidadãos sentem que o Estado não consegue garantir o exercício pleno de seus direitos, instala-se um clima de desesperança que pode levar ao isolamento, à desmobilização política e ao aprofundamento das desigualdades, todos fatores de risco para a saúde física e mental.

A investigação da Polícia Civil, conduzida com apoio de inteligência e parcerias institucionais, busca não apenas punir os envolvidos, mas restaurar a sensação de segurança e pertencimento nas comunidades afetadas. A democracia, quando ameaçada por grupos criminosos, deixa de ser apenas uma questão política — torna-se uma emergência de saúde pública, que exige respostas integradas entre segurança, assistência social e saúde mental.

O delegado-geral destacou ainda que a tentativa das facções de criar um “poder paralelo” é combatida de forma contínua no estado. Embora não tenha confirmado o recebimento de relatos com a cifra exata de R$ 50 mil por candidato, Buzolin pontuou que a Polícia Civil já realizou prisões em flagrante por cobranças semelhantes impostas ao comércio local.

“Sobre esses valores [de R$ 50 mil] não, mas a gente tem conhecimento de alguns valores. Inclusive já prendemos alguns integrantes de organizações criminosas por essa cobrança, né? Às vezes uma cobrança de ‘segurança’ que eles fazem, em que extorquem os comerciantes. A gente já chegou a identificar a cobrança de R$ 100, R$ 150 mensais por comércio”, detalhou o delegado.

O chefe da Polícia Civil garantiu que as forças de segurança já estão debruçadas sobre o esquema. Foto: captada 

Fonte: O Alto Acre

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