O governo do Acre decretou, neste domingo (5), situação de emergência em seis municípios do interior do estado em decorrência da cheia dos rios, que já afeta direta ou indiretamente mais de 40 mil pessoas. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 11.865, diante do agravamento das inundações causadas pelo alto volume de chuvas nas últimas semanas.
Foram enquadrados na situação de emergência de nível II os municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. As áreas atingidas estão localizadas nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá. O fenômeno é classificado como desastre natural hidrológico, conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).
A decisão foi tomada após reunião realizada no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), na sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), com a participação de representantes de diversos órgãos do Sistema Integrado de Meio Ambiente e da estrutura de governo.
Dados técnicos apontam que, nos primeiros dias de abril, o volume de chuvas chegou a 280 milímetros em algumas regiões. Como consequência, os principais rios ultrapassaram ou se aproximam das cotas de transbordamento. Em Cruzeiro do Sul, o nível do rio atingiu 14,07 metros, acima da cota de 13 metros. Em Feijó, o rio alcançou 12,10 metros, também acima do limite.
Representando a governadora Mailza Assis, o chefe de gabinete Douglas Jonathan Santiago destacou que o decreto amplia a capacidade de resposta do Estado. “Estamos diante de um cenário que exige resposta rápida e integrada. A prioridade é resguardar vidas e garantir dignidade às pessoas atingidas”, afirmou.
De acordo com a Defesa Civil Estadual, outras regiões permanecem em estado de atenção devido à tendência de elevação dos rios. O cenário já inclui famílias desalojadas e desabrigadas, além de prejuízos à infraestrutura, mobilidade e à agricultura de subsistência.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista, informou que o monitoramento segue intensificado. “Estamos em alerta máximo, acompanhando o comportamento dos rios e as previsões meteorológicas. Tivemos uma subida rápida devido a um volume de chuvas atípico”, explicou.
Com o decreto, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado passa a ter prioridade no atendimento por órgãos públicos, podendo mobilizar recursos humanos e materiais, coordenar ações de socorro e autorizar despesas emergenciais, como instalação de abrigos e fornecimento de insumos.
O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou que o decreto foi embasado por nota técnica elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Segundo ele, o documento reuniu dados essenciais para subsidiar a decisão governamental.
A Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas informou que, até o momento, a situação nas aldeias está sob controle, com maior atenção para comunidades em Feijó e Tarauacá. Já o Corpo de Bombeiros Militar reforçou que as equipes estão mobilizadas para atender ocorrências em todo o estado.
O decreto tem validade de 180 dias e autoriza medidas emergenciais, incluindo entrada forçada em imóveis em situações de risco iminente para resgate de pessoas, além do uso de propriedades particulares, com garantia de indenização em caso de danos.
A previsão de chuvas acima da média nos próximos dias mantém o cenário de alerta, com risco de novas elevações no nível dos rios.
Nível dos rios (05/04, às 9h):
- Tarauacá: 7,26m (cota de transbordamento: 9,50m)
- Feijó: 12,10m (cota: 12m)
- Rodrigues Alves: acima de 14m (cota: 13,50m)
- Cruzeiro do Sul: 14,07m (cota: 13m)
- Mâncio Lima: 6,24m (cota: 6,20m)
- Plácido de Castro: sem leitura (cota: 12,20m)
Fonte: Jurua24horas









