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Em reviravolta, MPF defende abate de lhamas apreendidas no Acre por risco de febre aftosa

Em reviravolta, MPF defende abate de lhamas apreendidas no Acre por risco de febre aftosa

Órgão mudou posicionamento após dados técnicos do Ministério da Agricultura apontarem falta de documentação e risco sanitário; animais são suscetíveis à febre aftosa, e decisão final cabe à Justiça Federal

Com assessoria

Uma reviravolta no processo judicial sobre as lhamas e alpacas apreendidas no Acre pode selar o destino dos animais. O Ministério Público Federal (MPF) alterou formalmente seu posicionamento e passou a defender o sacrifício sanitário do rebanho, citando o risco iminente de introdução e disseminação de doenças graves, como a febre aftosa.

A mudança ocorreu após o Ministério da Agricultura apresentar novos dados técnicos comprovando que os animais não possuem documentação que ateste a origem regular, o histórico de saúde ou a entrada legal no Brasil. Segundo o órgão, a ausência dessas informações impede que o risco de transmissão de doenças seja completamente descartado.

Apesar de uma vistoria do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) não ter identificado sintomas clínicos, especialistas alertam para a ameaça silenciosa. Por serem camelídeos ruminantes, lhamas e alpacas são receptores do vírus da febre aftosa. A entrada desses exemplares sem controle sanitário coloca em xeque o status do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação — conquista que, se perdida, geraria prejuízos bilionários ao agronegócio e ao comércio internacional.

Medidas cautelares como quarentena, devolução ou reexportação foram rejeitadas pelo Ministério da Agricultura devido à ausência total de rastreabilidade e à falta de infraestrutura isolada para quarentenamento seguro no estado.

Situação atual dos animais

Os animais, que foram apreendidos no dia 20 de maio em um posto de fiscalização na BR-364, seguem sob os cuidados da ONG Patinha Carente em uma propriedade rural em Porto Acre. Desde a apreensão, 13 animais já morreram, sendo 10 deles já no abrigo.

O IDAF declarou que não vai se pronunciar até a manifestação do Judiciário. Enquanto aguardam a sentença definitiva da Justiça Federal, as lhamas e alpacas permanecem sob tutela da ONG em uma propriedade rural na zona rural de Rio Branco.

Fonte: O Alto Acre

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