Laurisley Fideles Mariano está preso desde julho de 2025; TJAC manteve decisão que o leva a julgamento por tentativa de homicídio qualificado e organização criminosa
Apontado pela Polícia Civil do Acre como um dos fundadores da facção Bonde dos 13 (B13), Laurisley Fideles Mariano, conhecido pelo vulgo Arrascaeta, de 30 anos, será submetido a júri popular por tentativa de homicídio e organização criminosa. Considerado de alta periculosidade pelas autoridades, ele está preso desde julho de 2025.
A decisão de manter a pronúncia foi tomada pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), após a defesa apresentar pedido de impronúncia. O recurso foi negado, e os desembargadores entenderam que existem elementos suficientes para que o acusado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Laurisley é defendido pela Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE-AC). No processo, o defensor público Celso Araújo Rodrigues argumentou que a decisão de pronúncia não apresentaria fundamentação adequada e que os elementos reunidos não seriam suficientes para apontar a autoria dos crimes atribuídos ao acusado.
A defesa, entretanto, não conseguiu reverter a decisão.
Acusação
Segundo a denúncia, Laurisley é acusado de tentar matar Erineldo de Almeida Araújo com uma arma de fogo. A ação teria contado com a participação de adolescentes e estaria relacionada a disputas entre organizações criminosas.
O crime foi classificado como tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, além da acusação de organização criminosa.
Ao analisar o caso, a Câmara Criminal manteve a pronúncia, permitindo que as acusações sejam submetidas à apreciação do Tribunal do Júri.
Investigação e prisão no Rio de Janeiro
Laurisley foi preso em 16 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, após uma operação que contou com informações repassadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do Acre à Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ).
Segundo a Polícia Civil acreana, o acusado era monitorado havia meses. No final de 2024, equipes de investigação passaram a acompanhar pichações identificadas em bairros de Rio Branco que poderiam ajudar na localização do foragido.
Durante a abordagem na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, Laurisley teria tentado fugir e apresentado um nome falso aos policiais. Ele foi levado ao 21º Distrito Policial de Bonsucesso, onde a verdadeira identidade foi confirmada após contato com as autoridades do Acre.
Contra ele havia um mandado de prisão expedido pela Justiça do Acre.
Suposto elo entre grupos criminosos
As investigações apontaram ainda que Laurisley teria atuado em parceria com Geremias Lima de Souza, morto em dezembro de 2024, em frente à delegacia da Polícia Civil, no conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.
De acordo com a investigação, Geremias teria tentado executar um integrante de uma facção rival em uma ação relacionada à tentativa de infiltração no grupo criminoso.
Após retornar a Rio Branco, Geremias acabou morto, enquanto Laurisley teria permanecido escondido no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, ele teria atuado como elo entre integrantes dos grupos envolvidos.
A DHPP intensificou as ações de inteligência em 2025 até chegar à localização do suspeito.
Após a prisão, Laurisley foi transferido para o Acre, onde permanece preso preventivamente enquanto aguarda o julgamento.

De acordo com o processo relatado pelo desembargador Francisco Djalma, a tentativa de homicídio ocorreu mediante disparos de arma de fogo e teria sido motivada por uma disputa territorial entre facções rivalizadas. Foto: captada
Fonte: O Alto Acre






