O ex-padre Fábio Amaro foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por estupro, após a Justiça do Acre reverter uma decisão anterior que havia determinado sua absolvição. A nova sentença foi emitida nesta terça-feira (18) pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).
Além da pena de prisão, a decisão estabeleceu o pagamento de R$ 10 mil à vítima por danos morais. Amaro poderá recorrer em liberdade, e a condenação ainda pode ser contestada por meio de recursos.
Segundo o processo, os fatos teriam ocorrido entre 2008 e 2009, período em que Amaro atuava como pároco em Rio Branco. A vítima tinha aproximadamente 16 anos na época.
Uma segunda denúncia, apresentada por uma jovem que tinha 18 anos e também mantinha contato religioso com o então padre, não avançou porque o crime foi considerado prescrito. Assim, a condenação se refere ao caso envolvendo o rapaz.
Ministério Público recorreu de absolvição
Em agosto de 2025, a Justiça havia absolvido Fábio Amaro por falta de provas. Na ocasião, a decisão apontou que os depoimentos apresentados não eram suficientes para sustentar a condenação e que não havia documentos capazes de comprovar consequências decorrentes do suposto crime.
O Ministério Público do Acre recorreu da decisão. Com a análise do recurso, a absolvição foi derrubada e uma nova sentença condenou o ex-padre.
A vítima, que optou por não ter a identidade divulgada, afirmou que a condenação representa o reconhecimento da gravidade das acusações feitas por ele ainda na adolescência.
Acusações vieram a público em 2023
As denúncias contra Fábio Amaro se tornaram públicas em maio de 2023, quando a Polícia Civil do Acre informou que havia indiciado o então sacerdote por suspeita de abuso sexual.
Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia à Justiça pelo crime de estupro de vulnerável. A denúncia foi recebida em novembro de 2023 e, no mês seguinte, Amaro passou a responder como réu.
Diocese afirmou ter afastado religioso
Após as acusações, a Diocese de Rio Branco informou que havia solicitado o afastamento de Fábio Amaro assim que tomou conhecimento dos relatos.
O então bispo da diocese, Dom Joaquín Pertiñez, afirmou na época que o religioso teria sido questionado sobre as denúncias e admitido os crimes. Segundo o bispo, Amaro teria sido orientado a renunciar ou poderia sofrer excomunhão.
O ex-padre negou conhecer as vítimas e afirmou não ter conhecimento do acordo mencionado pelo bispo. Ele apresentou sua renúncia e justificou a decisão pela necessidade de deixar o estado após a morte do pai.
Sobre a ausência de uma denúncia imediata à Polícia Civil, Dom Joaquín declarou que teria seguido um protocolo do Vaticano que previa uma denúncia formal por escrito por parte das vítimas. Segundo ele, elas não quiseram prosseguir com o caso naquele momento.
Fonte: G1 Acre






