Durante as primeiras oitivas, foram colhidas informações de que S.P.N. teria ameaçado a vítima de morte em momento anterior, no contexto de desentendimentos relacionados à questão fundiária

A vítima estava com as mãos e os pés amarrados para trás e apresentava um profundo ferimento no lado esquerdo do pescoço, causado por um golpe de faca. Foto: captada
Maria do Socorro Pereira do Nascimento, de 58 anos, foi encontrada morta na zona rural de Bujari; crime teria sido motivado por conflito fundiário na região
Ascom/PCAC
A Polícia Civil do Acre avançou, na segunda-feira, 27, nas investigações sobre a morte de Maria do Socorro Pereira do Nascimento, encontrada sem vida e com os membros amarrados no interior de sua residência, na zona rural do município de Bujari, no último dia 24 de julho.
Durante o período da manhã, equipes policiais deram cumprimento a dois mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados à investigação. Já no período da tarde, foram cumpridos mandado de busca pessoal e mandado de prisão temporária em desfavor de S.P.N., apontado, até o momento, como principal suspeito do crime.
A operação contou com a participação de 12 policiais civis, incluindo integrantes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e policiais civis de Bujari e de Rio Branco.
As diligências iniciais revelaram a existência de conflitos familiares envolvendo a propriedade rural em que a vítima residia. Durante as primeiras oitivas, foram colhidas informações de que S.P.N. teria ameaçado a vítima de morte em momento anterior, no contexto de desentendimentos relacionados à questão fundiária.
Outro elemento considerado relevante é que o investigado esteve nas proximidades do local do crime durante a janela temporal compreendida entre o provável momento da morte e a localização do corpo. Conforme apurado, ele esteve na residência de familiares vizinhos, situada próxima ao imóvel da vítima, circunstância que passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela equipe investigativa.
Na unidade policial, durante a realização de sua oitiva, foi dado cumprimento ao mandado de prisão temporária expedido em desfavor de S.P.N. Em interrogatório, o investigado negou participação no homicídio, mas confirmou ter ameaçado a vítima anteriormente, sustentando, contudo, que o episódio teria ocorrido por motivo diverso e sem relação com o conflito fundiário.

Um dos irmãos de Maria do Socorro Pereira do Nascimento, de 58 anos, foi preso pela Polícia Civil suspeito de matar a costureira na noite da última sexta-feira (24) no km 33 da BR-364, zona rural de Bujari. Foto: captada
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos aparelhos celulares utilizados pelos investigados, os quais serão submetidos à análise técnica. A extração dos dados poderá contribuir para o esclarecimento da dinâmica do crime, das comunicações mantidas entre os envolvidos e de outras circunstâncias relevantes para a investigação.
O delegado de Polícia Civil Igor Brito, responsável pela investigação, destacou a importância da atuação integrada entre as instituições e enalteceu o trabalho desenvolvido pelos investigadores de polícia do município de Bujari.
“As diligências realizadas permitem aprofundar a análise dos elementos já reunidos e avançar na elucidação das circunstâncias do crime. É importante destacar o trabalho técnico, dedicado e diligente dos investigadores de polícia de Bujari, que desde os primeiros momentos atuaram de forma contínua na coleta de informações e no desenvolvimento das linhas investigativas. Também merece reconhecimento a atuação célere do Ministério Público e do Poder Judiciário, que analisaram prontamente a representação policial e viabilizaram, com a necessária agilidade, o cumprimento das medidas indispensáveis ao avanço da investigação”, informou.
O delegado Igor destacou ainda que foram apreendidos celulares do investigado, que serão analisados pela perícia. Ainda de acordo com ele, o Ministério Público do Acre e o Poder Judiciário analisarem de forma célere os pedidos judiciais.
A Polícia Civil prossegue com as investigações de forma técnica e imparcial, visando ao completo esclarecimento do homicídio, à identificação de eventual participação de outras pessoas e à responsabilização criminal dos envolvidos.
Este crime se soma a uma série de ocorrências violentas registradas no Acre em julho. O estado contabilizou três feminicídios apenas neste mês. Juliana Barbosa Cerqueira, de 44 anos, foi morta a facadas pelo marido no dia 5 de julho em Cruzeiro do Sul, que depois cometeu suicídio. Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi assassinada a facadas pelo marido, um bombeiro da reserva, no dia 6 de julho em Manoel Urbano.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura as circunstâncias do homicídio e a motivação relacionada ao conflito fundiário. Foto: captada
Fonte: O Alto Acre






