A força da ancestralidade, a exuberância da floresta e as histórias de encontros que atravessam fronteiras transformam o Festival Atsa Puyanawa em uma grande celebração da cultura indígena do Acre. Realizado na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, o evento reúne visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma experiência de imersão nos costumes do povo Puyanawa, cujo nome significa “Povo do Sapo”.
Em sua 8ª edição, o festival se consolida como um dos principais eventos de valorização da cultura indígena acreana, com uma programação que inclui cantos tradicionais, rituais, danças, gastronomia típica, artesanato, rodas de conversa e vivências culturais. A iniciativa fortalece a identidade dos povos originários e também impulsiona o turismo de base comunitária.
O evento começou no dia 18 de julho e segue até quinta-feira, 23. A realização é da Associação Agroextrativista Puyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI), com apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi).
No domingo, 19, a governadora Mailza Assis visitou o festival acompanhada do secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias.
Além da programação cultural, a própria natureza da Terra Indígena Puyanawa é um dos grandes atrativos para os visitantes. Cercada pela floresta preservada, a aldeia encanta com suas paisagens, incluindo o campo de futebol de areias brancas e o igarapé de águas escuras e geladas. Durante os seis dias de evento, a movimentação também gera renda para as famílias da comunidade e divulga a cultura acreana para turistas brasileiros e estrangeiros.
História de amor entre Bélgica e Amazônia
Entre os visitantes está o belga Laurent Van Eesbeeck, que participa do Festival Atsa Puyanawa pela sétima vez. A relação dele com a comunidade começou em 2017, quando conheceu a aldeia e se encantou pela cultura e hospitalidade do povo.
A experiência se transformou em uma ligação permanente com a comunidade e também em uma história de amor. Durante as visitas, Laurent conheceu a indígena Liliane Puyanawa, com quem está noivo. Após o festival, o casal pretende morar na Europa.
“Voltei pelo amor do povo, pelo amor da natureza, mas também pelo amor de uma pessoa muito especial e para rever minha nova família Puyanawa”, afirmou.
Segundo ele, o festival representa o esforço coletivo da comunidade, que começa os preparativos meses antes para organizar apresentações, comidas tradicionais e receber os visitantes.
Gastronomia tradicional fortalece economia da aldeia
O festival também é uma oportunidade de geração de renda para as famílias indígenas. A artesã e cozinheira Doca Puyanawa participa de todos os dias do evento comercializando pratos típicos e artesanatos.
Ela destaca que a renda obtida durante o festival ajuda no sustento da família.
“Ajuda muito no lado financeiro. Dá para comprar aquilo que a gente está precisando para casa e para a família”, contou.
Entre os pratos mais procurados está o tradicional peixe moqueado, preparado de forma artesanal e defumado na folha da bananeira, mantendo a tradição culinária do povo Puyanawa.
Cultura viva e fortalecimento dos povos indígenas
Para o cacique Joel Puyanawa, o festival representa um momento de fortalecimento espiritual, celebração e transmissão da história do povo.
“Nosso objetivo é transmitir a melhor energia possível para fortalecer o nosso espírito e o espírito de todos vocês. As nossas canções, as nossas danças, a nossa cultura e os nossos gestos proporcionam a oportunidade de conhecer a história de um povo”, afirmou.
A secretária extraordinária de Povos Indígenas, Francisca Arara, destacou que o governo do Acre apoia os 24 festivais indígenas que fazem parte do calendário oficial do estado, considerando esses eventos importantes para a preservação cultural, geração de renda e fortalecimento do turismo.
“O Estado do Acre tem valorizado os festivais nos territórios indígenas. Queremos valorizar quem vive na floresta, garantindo dignidade, tecnologia, energia limpa, água potável, segurança alimentar e fortalecendo os cardápios tradicionais. O Acre é cultura”, destacou.
Fonte: Jurua24horas






