Lula defende que a decisão do eleitorado é soberana e deve ser respeitada, independentemente do perfil do candidato vitorioso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisou, em entrevista à revista alemã Der Spiegel nesta quinta-feira (16/4), um eventual cenário em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) saia vitorioso das eleições deste ano.
Questionado sobre as pesquisas eleitorais que indicam chances de o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ser eleito, Lula pontuou que, independentemente do perfil do vitorioso, é preciso aceitar o resultado.
“Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou de centro, temos que aceitar esse resultado. Eu jamais imaginaria que um metalúrgico, que já foi chefe de um sindicato como eu, seria eleito presidente três vezes. Mas aqui estou eu”, disse Lula.
Não há lugar para fascistas no Brasil, diz Lula
Ao ser perguntado se não teme que o Brasil possa recair no autoritarismo, Lula respondeu que o Brasil continuará sendo um país democrático. Apesar do tom de aceitação, diante de uma eventual derrota nas eleições, ele disse que a esquerda vencerá a disputa deste ano.
“O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, venceremos esta eleição e garantiremos que nossa democracia se torne ainda mais estável. Não há lugar aqui para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia. Essa ideologia de direita que domina o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras”, declarou ele.
Sobre a candidatura à reeleição, Lula preferiu evitar uma confirmação antecipada. Ao dizer que “depende”, o presidente explicou que está se preparando para isso, mas que ainda “haverá uma convenção partidária” para discutir os candidatos mais importantes do PT.
“Minha mente e meu corpo estão 100% em forma. Quero viver até os 120 anos!”, complementou Lula.
Viagem à Europa
Lula embarcou, nesta quinta, para uma viagem à Europa, com foco na negociação e no avanço de acordos comerciais e parcerias estratégicas. Ao longo de cinco dias, o petista cumprirá agendas na Espanha, na Alemanha e em Portugal, em um giro que combina interesses econômicos com articulação política internacional.
A expectativa do governo é aproveitar encontros bilaterais e eventos multilaterais para ampliar a cooperação com países europeus e avançar em negociações consideradas prioritárias, em meio a uma agenda que também inclui debates sobre democracia e combate ao extremismo.
Lula retorna ao Brasil na próxima terça-feira (21/4). Durante a viagem, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumirá interinamente a Presidência.
Fonte: O Alto Acre









